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A História da suspensão nas Motos: A suspensão Traseira
Escrito por Alessandro Roberto Fuchs   
04-Out-2008
Como vimos na matéria anterior na História da suspensão dianteira, as motos receberam primeiro  a  suspensão dianteira, pois no início do século 19 o entendimento era que a dianteira da moto era mais crítica que a traseira ao passar por obstáculos. Para dar um certo conforto ao motociclista, utilizava-se pneus grandes e macios para absorver os impactos das deformidades do solo. Essas motos tinham o apelido de “rabo duro”

A História da Suspensão nas Motos: A Suspensão Traseira   

Indian Chief 1935
Indian Chief 1935



 A primeira tentativa de melhorar o conforto do motociclista foi à adoção de molas sob o banco, como é usado atualmente ainda nas bicicletas.

 

 

Feixe de Molas

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Indian 1914

Foi na metade da década de 10 que surgiu a primeira suspensão traseira. A Indian lançou seu modelo 1914 dotado de um feixe de molas na parte superior do chassis. O feixe ficava na posição horizontal e ligava o chassis a um braço oscilante.em forma de 'L'. O sistema foi nitidamentente inspirado nos carros da época."  

 

Pistão 

Triumph 1954
Triumph 1954
No fim da década de 30 que surgiu a primeira suspensão traseira. Sobre um eixo rígido (onde hoje fica a balança) o eixo da roda traseira era apoiado sobre dois pinos que se moviam verticalmente sobre molas encapsuladas. Além do diminuto curso da roda, o sistema era ineficiente quando havia forças transversais sobre o sistema (em acelerações e frenagens), fazendo o sistema travar pelo empenamento do pistão. Além disso, só a mola, sem a adoção de um sistema que controlasse o movimento da mola, fazia com que a traseira da moto ficasse instável pela oscilação da mola (já que o pistão era apenas um guia para unir as duas extremidades do sistema. Esse sistema foi adotado por fábricas como Ariel, BMW, BSA, Indian, MZ, Norton, Triumph e Zündapp.


Bi-Choque

Honda CB 1300. Para manter seu visual Vintage, a Honda adotou o sistema bi-choque com amortecedores de última geração
Honda CB 1300. Para manter seu
visual Vintage, a Honda adotou o
sistema bi-choque com
amortecedores de última geração

Somente muitos anos mais tarde, quando o sistema Ceriani já havia sido difundido mundialmente como modelo de suspensão dianteira, é que surgiu um sistema mais adequado a função de amortecimento na traseira da moto. Foi adotado um garfo horizontal móvel (braço oscilante ou balança) sobre o qual agem dois amortecedores, compostos por mola externa e o próprio amortecedor. Com esse sistema, foi possível aumentar o curso da roda traseira, ao mesmo tempo em que, com a adoção de um amortecedor interno, o problema de oscilação da mola estava resolvido.

Porém, se os amortecedores não estiverem igualmente calibrados, geram uma torção na balança, desestabilizando a traseira da moto, quando a roda traseira passa por uma irregularidade. Nas curvas, a situação é a mesma, pois os amortecedores sofrem a pressão do efeito G (gravidade) quando a moto está inclinada contornando a estrada. Qualquer ondulação na pista, caso os amortecedores não estejam iguais, irá gerar um desequilíbrio na moto com conseqüências trágicas.

Além disso, como os amortecedores estão dispostos próximos ao eixo da roda traseira. Isto significa que o curso dos amortecedores é o mesmo da balança. Como a relação de curso entre amortecedores e balança é de 1:1, os amortecedores atuam mais e mais rápido. Essa velocidade de trabalho aquece o óleo dos amortecedores, formando uma espuma que acaba diminuindo as propriedades de amortecimento. Isto é conhecido como fading dos amortecedores.


Mono-Choque

Protótipo da suspensão Mono-choque de Lucien Tilkens
Protótipo da suspensão
Mono-choque de Lucien Tilkens
A maior evolução na suspensão traseira é obra do engenheiro belga chamado Lucien Tilkens. A partir de uma moto CZ de motocross, Tilkens tirou a balança original com os dois amortecedores e criou uma nova balança com um único amortecedor central, inclinado com sua parte superior presa debaixo do tanque de combustível.  Após vários testes, a inovação se mostrou superior ao sistema de dois amortecedores. Então Tilkens  entrou em contato com seu conterrâneo Roger Decoster, que era piloto da Suzuki, com a intenção de vender o projeto. Apesar de a Suzuki ter testado o invento (secretamente, com apenas 2 de seus pilotos – Geboers e Decoster e  sob juramento de manter sigilo aos demais pilotos da própria equipe) e Roger Decoster ter recomendado a compra do invento, a Suzuki não concordou.

Tilkens então ofereceu o projeto à Honda, que testou e também não demosntrou interesse.

Quando Tilkens ofereceu o produto à Yamaha, esta compareceu com nada mais, nada menos que 25 engenheiros no dia do teste! O piloto de testes era o então piloto de fábrica, Torsten Hallman:

foto_5_-_torsten_hallman-.jpg
Torsten Hallman ao lado de sua
YZ 250 1972
“Em junho de 1972, recebemos uma moto experimental com uma suspensão traseira especial convertida a partir de uma de nossas motos. Foi feito por um homem chamado Lucien Tilkens da Bélgica. Nós testamos a nova moto no norte da Bélgica. As seções de teste ocorreram secretamente. Nenhum dos outros pilotos da equipe oficial sequer sabiam sobre ela, eu era o único. A Yamaha tinha levado mais de vinte e cinco engenheiros para ajudar na avaliação. Eu não podia entender porquê tantos engenheiros. Eu aprendi mais tarde, muitos anos mais tarde que os engenheiros eram de diversos departamentos. Se o teste ocorresse bem, eles planejavam sobre o uso do desenho em muitos produtos diferentes como motos de rua, ciclomotores, carros de neve etc. Nós testamos a moto em milhares de voltas ao longo de um período de vários meses e todos os tipos de dados foram gravados. Os testes foram realizados em terrenos muito pesados, mas os registros de tempo eram bons e a moto parecia ser melhor do que com o sistema de dois amortecedores. A Yamaha deixou para mim a decisão para comprá-lo ou não. Foi uma tremenda pressão de ser o único a tomar a decisão. Depois de muitas reuniões e avaliações, eu decidi que eles deviam comprá-lo. A Yamaha então comprou a patente do Sr. Tilkens.”

Yamaha DT 180 manteve ao longo dos anos o mesmo modelo da primeira suspensão monoschock da YZ 250 de 1973
Yamaha DT 180 manteve ao longo
dos anos o mesmo modelo da
primeira suspensão monoschock
da YZ 250 de 1973

Após aperfeiçoar o projeto (que originalmente pesava 10Kg a mais que a suspensão bi-choque), em 1973 a Yamaha chegou as pistas de Motocross com a YZ 250. Nas mãos do piloto sueco Hakan Andersson (que, aliás, custou muito a aceitar usar a nova suspensão), a Yamaha se tornou campeã mundial no ano de estréia de sua revolucionária suspensão, vencendo 12 etapas e levando o título com 3 provas de antecedência.

No ano seguinte, a Yamaha colocou o sistema Monoschock também nas motos de GP, começando pela TZ 500 e depois na sua 250cc.

No início da década de 80, todas as montadoras migraram para o sistema mono-amortecido: Pro-link (Honda), Unitrack (Suzuki), Full Floater (Suzuki), Mono Cross (novo nome dado pela Yamaha no lugar do Monoschock), Soft Damp (Agrale-Cagiva), são nomes que designam este tipo de suspensão.

Mas qual a vantagem do sistema mono-choque? Colocando um único amortecedor na frente da balança, esta poderá ter um curso muito maior (no sistema bi-choque, há o limite físico dos próprios amortecedores, por estarem presos na balança e na parte superior do chassi da moto). Alem disso, o único amortecedor, posicionado no pivô da balança (onde ela é fixada no chassis) traduz-se em movimentos curtos do amortecedor, que por sua vez significa menor chance para o óleo espumar e acontecer o fading.

foto_5c_-_monoschock.jpg
Gráfico de progressividade da
suspensão mono-choque

O sistema mono-choque rapidamente passou por uma evolução com a adoção de links (credita-se isso à Kawasaki, com seu sistema Uni-Track) onde uma série de alavancas acaba reduzindo ainda mais o curso do amortecedor. Além disso, a adição dos tais links faz com que o amortecedor possa responder melhor as irregularidades do solo, iniciando o curso mais macio e progredindo para maior rigidez conforme o curso vai aumentando, ou seja, altera-se a força de amortecimento conforme a sua solicitação. A força de amortecimento aumenta à medida que o curso da roda aumenta, havendo assim uma progressividade do amortecedor.

Apesar da incontestável melhoria do sistema mono-choque em relação ao bi-choque, a colocação de um único amortecedor no centro do chassis acabou trazendo um inconveniente: Como colocar o duto que liga a caixa do filtro de ar ao carburador? A solução foi comprimi-lo e criar curvas para que pudesse contornar o amortecedor. Porém, isso acaba restringindo a passagem de ar para o carburador e este conseqüentemente não recebe todo o ar necessário (ou, se recebe, isso acontece em velocidade menor) para enviar ao cilindro.

Sistema PDS da KTM
Sistema PDS da KTM
Pensando nisso, a austríaca KTM, em 1998, criou a suspensão PDS (Pro Damping System), onde os braços-relê (links) foram eliminados. À primeira vista, pode-se pensar que houve um retrocesso na suspensão, mas não.  O sistema PDS funciona do mesmo modo que a suspensão mono-choque tradicional, porém a ausência dos links é compensada por um inovador amortecedor com dois pistões instalado diretamente na balança, dando assim, além do amortecimento, toda a progressividade do link.

Sem os links (que necessariamente têm que trabalhar no centro da balança), a KTM pode deslocar o amortecedor para a lateral da moto. Isso corrigiu o problema do duto de ar, que agora pode ficar em linha reta com o carburador. Além disso, o sistema PDS eliminou 1Kg do peso da moto, ao se desfazer dos links. Outra inegável vantagem é a redução de atrito de tantas peças móveis (que inclusive restringem o trabalho da suspensão) além é claro de diminuir a manutenção do sistema, pois não há mais folgas entre os componentes móveis (buchas e rolamentos).

No Brasil, este sistema sem links só é utilizado na Broz 125 e 150 da Honda e na Yamaha XTZ 125, cujo fabricante denominou de Active Monocross.
 
Com mais de trinta anos, a suspensão mono-choque ainda hoje se mostra a mais eficaz. Resta esperar para ver quando surgirá uma nova evolução...


Sistemas de suspensão em uso atualmente
 

Honda FVR 750R

CURIOSIDADES

Alguns fabricantes vislumbraram outras variações no sistema de amortecedor único: O sistema mono-braço, que como o próprio nome sugere, trata-se de apenas uma balança com apenas um lado, onde é fixada a roda, a coroa e a pinça de freio. No metade da década de 80, a equipe Elf utilizava este sistema no Mundial de Motovelocidade e a Honda (que batizou o sistema de Pro-Arm) utilizava na sua Super Sport VFR 750R e na naked NTV 650 Bros. Atualmente a alemã BMW vem utilizando a suspensão mono-braço largamente em suas motos, que está na sua terceira geração, e hoje é denominada Paralever.


Também foram estudadas outra posição do amortecedor: Na posição horizontal, abaixo do motor, baixando o centro de gravidade da moto, como era na Yamaha RD 500LC, nos anos 80 e recentemente na MT 01, mas desta vez, posicionado ao lado do motor. Há alguns anos, a Kawasaki chegou a testar um protótipo de uma KX 250cc com amortecedor horizontal, mas acabou abandonando a idéia. 

BMW HP2
 BMW HP2
Yamaha RD 500LC
 Yamaha RD 500LC
Protótipo KX 250 com  amortecedor traseiro horizontal
 Protótipo KX 250 com
 amortecedor traseiro horizontal

 
 
 
 

 
Comentários (3)add
...
escrito por oliver ratinho , 19 de junho de 2010
O amortecedor da bros é melhor que da xlr125?
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...
escrito por oliver ratinho , 19 de junho de 2010
Qual o melhor tipo de amortecedor para pro link?
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Para ver fotos da YZ 1973 de Andersson
escrito por mrechterhoff , 05 de janeiro de 2010
Visite http://www.mxworksbike.com/1973 YZ250.htm
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Atualizado em ( 22-Nov-2008 )
 
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