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Como o teste do kit de suspensões PCR para a Yamaha DT 180 teve grande repercussão no CDM, onde recebemos vários e-mails perguntando mais detalhes sobre o produto e principalmente solicitando um teste desse conjunto para as motos Agrale, resolvemos então que era hora matar a curiosidade dos Agraleiros.
Devido a falta de amortecedores no mercado, muitas Agrales estão usando amortecedor de XL/XLX 250, pois até pouco tempo atrás era difícil conseguir quem fizesse a recondicionamento dos amortecedores originais. É o caso da moto que serviu para esse teste. Embora não esteja com o amortecedor original, vamos mostrar como é possível dar um upgrade na suspensão traseira da sua moto. Alem disso, fica comprovado que o amortecedor pode sim em muitos casos ser recondicionado, aumentando infinitamente sua vida útil.
O KIT
KIT de suspensão traseira PCR
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O Kit traseiro para suspensão da Agrale segue o mesmo conjunto do kit para a Yamaha DT 180 que já testamos. É composto por uma válvula e por um reservatório externo de gás comprimido. Um manual acompanha o produto.A diferença está que nesse kit é utilizado os jogos de palhetas originais do amortecedor (enquanto que no da DT, vieram as palhetas por que o amortecedor original da Yamaha não tem).
O reservatório e suas tampas são feitos em alumínio. A tampa superior destina-se a acoplagem do flexível que permite a circulação óleo. Há nessa tampa um parafuso que permite a regulagem da restrição da passagem do óleo. Há ainda um pistão, fabricado em uma peça de nylon® cuja função é impedir que óleo e gás se misturem. Na tampa inferior há um ventil para que se possa injetar o gás nitrogênio. Acompanha ainda o parafuso de acoplagem do flexível, duas arruelas e uma porca que será fixada no corpo do amortecedor.
Com o amortecedor fora da moto, começamos a desmontagem dele. O amortecedor usado nessa Agrale EX é um modelo Showa usado originalmente nas Honda XL/XLX 250, pressurizado, tendo no seu interior gás nitrogênio. Depois de retirada dos periféricos do amortecedor (mola, batente da haste, porcas de regulagem da compressão da mola, etc), a próxima etapa é despressurizar o amortecedor, fazendo um furo próximo a extremidade superior. Em seguida, desmonta-se o amortecedor, retirando a tampa e depois a haste com a válvula original.
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Após todo desmontado, passamos a seguir o manual de instalação que acompanha o produto. A princípio achamos estranho alguns passos do manual e entramos em contato com a empresa. Logo concluímos que o manual que veio para nós era de outro amortecedor e não do que estávamos trabalhando. Rapidamente a PCR nos mandou um e-mail com o esquema correto de montagem.
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Aqui cabe uma informação: Mesmo não sendo o manual correto (que foi rapidamente resolvido, como já dissemos), o manual continua muito ruim. Mas a boa notícia é que para breve a PCR estará encaminhando junto com os kits um vídeo em DVD demonstrando a montagem.
Voltando ao serviço. A válvula original está presa na extremidade da haste do amortecedor. A fixação da válvula originalmente é feita através de uma porca e o fim da rosca é rebatido para evitar que a porca saia. Desbastamos esse remanche em um torno e soltamos a porca. A seguir, retira-se cuidadosamente a seqüência de palhetas (compressão) e depois a válvula original e a outra seqüência de palhetas (retorno). Após limpeza cuidadosa de cada palheta, montamos na ordem inversa a desmontagem.
A válvula nova usa a cinta metálica e o anel o’ring da válvula original.
Válvula PCR (amarela) e original (preta)
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Com a haste pronta, preparamos o corpo do amortecedor. A furação feita para retirar o gás foi aumentada para 8,5mm, Sobre o furo, soldamos a porca que acompanha o kit.
O próximo passo é repor o óleo. Utilizamos óleo específico para suspensão de moto, com viscosidade 5W. Com o amortecedor na vertical, fecha-se a porca soldada com um parafuso, e adiciona-se um pouco de óleo. A seguir, colocamos a haste até o fim de curso e esperamos eliminar o ar através das bolhas que passavam pela válvula. Completamos com óleo e fechamos o amortecedor.
O próximo passo é montar o reservatório externo de gás. Colocamos o pistão no reservatório. Ele deve ficar a 10mm abaixo do topo. Colocamos a 20mm, para poder fazer a sangria. Completamos o espaço com óleo. Na tampa superior, fixamos o flexível. Colocamos a tampa superior e o seu anel de fixação. Pela outra extremidade do reservatório, empurramos o pistão em 10mm (para que fique nos 10mm do topo, como consta no manual). Fazendo isso, o óleo completa o flexível e o excedente é expelido.
Montagem do Reservatório
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É hora de unir o reservatírio ao amortecedor. Certificamos que o flexível estava cheio de óleo e o fixamos ao amortecedor através do parafuso que acompanha o kit. Fizemos testes com movimentos de ida e volta da haste do amortecedor para certificar que não ficou ar no sistema. O teste foi feito com o amortecedor na horizontal e vertical (nesse caso, de cabeça para cima e depois, para baixo).
Falta somente pressurizar o amortecedor. Colocamos 140lbs de nitrogênio.
Amortecedor montado.
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Uma vez pressurizado, reinstalamos os demais componentes do amortecedor e o recolocamos na moto.
Fixamos o reservatório de gás no chassis da moto, através de cintas metálicas.
Fixação do reservatório.
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COMPORTAMENTO
Seguimos para uma trilha bem diversificada, com vários tipos de solo (areia, pedras, buracos, lama...). Já no inicio, o amortecedor se mostrou muito rígido na compressão. Quando montamos, mantivemos a mesma regulagem da pré carga da mola. Tal fato é um tanto estranho, pois no caso da DT, a suspensão ficou bem mais macia que a original e no caso desse amortecedor, ocorreu o contrário.
Fizemos nova regulagem, deixando a mola com bem menos carga e houve significatica melhora.
Ao fazermos a trilha no sentido contrário, fechamos quase totalmente o parafuso de regulagem do amortecedor e esse se mostrou ainda mais firme. Portanto, até achar o ponto certo da regulagem, é necessário levar uma pequena chave de fenda junto e ir regulando o reservatório de acordo com sua pilotagem.
Dica: Ao comprar um kit para o amortecedor traseiro, passe informações de seu peso (com o equipamento completo) e qual o destino da moto (cross, rally, trilha...). Assim, a empresa lhe fornecerá a válvula com as palhetas já pré-reguladas para sua utilização, evitando que se desmonte várias vezes o amortecedor para regulá-lo ao seu gosto, evitando custos com mão-de-obra e recargas de gás.
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COMPORTAMENTO
O comportamento da suspensão traseira mudou bastante com a instalação do kit PCR. Para quem conhece o amortecedor original, o maior problema é a falta de retorno. Numa compressão maior da suspensão, ele catapulta literalmente o piloto. Foi percebido grande melhora neste quesito e também a suspensão mais firme. Antes caso você desejasse enrijecer mais a suspensão, o único ajuste era o da pré carga da mola, porém com o amorcedor já gerando pouco retorno, o resultado não era muito animador.
Estranhamos a necessidade de reduzir a pré carga da mola, pois o primeiro ajuste ficou bastante duro, necessitando voltar quase a zero a pré-carga.
Com a suspensão mais rígida, sentia-se a moto mais na mão em uma tocada mais forte. No quesito conforto, a suspensão se tornando mais firme, diminui a sensação de conforto ao fazer uma tocada sentado no banco, com pouca velocidade, porém ao andar num ritmo mais forte, foi sentida melhora nas respostas da suspensão.
Um ajuste fino pode ser feito alterando-se a ordem das palhetas de compressão e retorno, mas infelizmente, o manual do kit não traz informações a respeito deste ajuste. Como são aproveitadas as palhetas originais, fica difícil (e caro) fazer os ajustes na tentativa e erro.
CONCLUSÃO
Devido a fragilidade do amortecedor original, hoje a grande maioria das Agrales que continuam rodando nas trilhas, usam amortecedores Showa, da linha Honda XLX 250 e 350. Com o kit fabricado pela PCR, o conjunto além da melhora ganha a possibilidade de ajustes de acordo com o gosto e preferência de pilotagem de cada um.
O amortecedor original das XLX, conforme já citado, possui uma ação de retorno limitada que quando é mais exigido acaba perdendo ainda mais sua ação. Com o kit fornecido pela PCR, há considerável ganho no retorno, além do amortecedor trabalhar com reservatório externo de nitrogênio o que o ajuda a não perder ação quando em uso mais intenso, devido a ação refrigerante do gás, no reservatório externo.
A PCR também vende o retentor da haste, então no caso de um amortecedor vazando mas que esteja com a haste intacta, é possível recondicionar o amortecedor, melhorando ainda seu funcionamento.
Outra vez, os manuais da PCR foram fracos, com pouca informação sobre a instalação do kit. A boa notícia é que estão produzindo DVDs com o procedimento de montagem específico para cada amortecedor. Sem dúvida, uma ótima notícia.
Pelo custo do kit, um bom upgrade, porém, só deve ser instalado por quem já tiver conhecimentos, não é um serviço trivial.
Dica: O óleo das suspensões tem vida útil pré determinada. Os fabricantes recomendam trocar o óleo ente 25 a 60 horas de uso, dependendo da suspensão ou da modalidade. Depois desse prazo o óleo vai perdendo sua a eficiência e comprometendo a eficiência do sistema.
PROS E CONTRAS
| PROS |
CONTRAS
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| Melhora sensível da suspensão |
Manual de instalação
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Possibilidade de recondicionar o amortecedor
traseiro
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