| Teste Exclusivo: Ignição N5 para a Yamaha DT 180 |
| Escrito por Alessandro Roberto Fuchs | |||||||||||||||||||||||||||
| 27-Jun-2008 | |||||||||||||||||||||||||||
|
Qual o segredo? Pode estar na ignição! A empresa N5 Ignition nos forneceu um kit de ignição para a Yamaha DT 180, a fim de testarmos. Segundo a empresa, o ganho é de 30% em torque e potência em relação a ignição original.
As bobinas são blindadas. Se por um lado, torna-se impossível a substituição de uma delas, por outro lado oferece maior proteção às mesmas. Para saber se há defeito nas bobinas, basta fazer o teste de resistência, conforme os dados oferecidos no manual de instalação. No que se refere ao manual de instalação, este não veio junto com o produto. Em contato com o fabricante, fomos informados que o manual está passando por uma revisão. Mas é possível fazer o download do mesmo no site do fabricante.
Eu sei como é penoso ter que tirar uma mesa de ignição quando os parafusos estão destruídos, culpa de alguns mecânicos que economizam centavos na colocação de dois parafusos novos. Ai quem sofre é o próximo mecânico que vai retirar a mesa. Outra boa notícia é que o conjunto já vem com regulador/retificador de voltagem internos no CDI. Ou seja, o fio amarelo que sai do CDI pode ser ligado diretamente no sistema de iluminação da moto, dispensando todo o chicote original da moto e o regulador/retificador de voltagem originais. Desta forma, para quem utiliza a moto em trilhas noturnas ou em enduros, é possível utilizar este conjunto. O fabricante também nos mandou um segundo CDI com 3 estágios, sendo que cada estágio tem um chicote próprio e com comprimentos diferentes. Ainda segundo o fabricante, um estágio prioriza o torque em baixa, outro é intermediário (torque e potência, sendo um meio termo entre os outros dois estágios) e, por último, o estágio que prioriza a potência.
Instalando o kit Montamos o kit, o que vale dizer, é muito simples, pois como no original, o ponto de ignição da mesa de bobinas é fixo. Basta somente ter duas ferramentas específicas para retirar o volante do magneto (vide Box sobre a montagem do kit). Porém, no momento da montagem surgiram duas dificuldades: A primeira é o chicote da mesa de ignição, que é muito curto, impedindo de passá-lo pelo mesmo local do chicote original.
Instalado o kit, é hora de ligar o motor. Já no primeiro kick, o pedal deu contrapartida. Verificamos toda a instalação e tudo estava correto. Nova tentativa e novo contragolpe. Este fato causa muita preocupação, pois no caso da DT 180, o contragolpe do pedal de partida faz quebrar a tampa da embreagem (no contragolpe, as engrenagens do kick starter são forçadas uma contra a outra, empurrando o eixo do pedal de partida, trincando a tampa do motor). Durante os dois dias de teste, o contragolpe ocorreu. Somente quando dada a partida com vigor suficiente para ligar um motor monocilíndrico 4 tempos de média cilindrada é que não se sentia o contragolpe. Em contato com o fabricante, o mesmo informou que é o primeiro relato deste tipo que recebem. Alegaram que este problema poderia ser pelo fato de o motor da DT 180 estar taxado. Mas no caso da moto do teste, a taxa de compressão é a original de fábrica. O teste com a pistola de ponto (lâmpada estroboscópica) revelou que o ponto de ignição da N5 está 8,16° mais adiantado em relação ao ponto de ignição original da DT 180 (14° APMS) sendo esse o provável motivo do contragolpe. Uma vez ligado o motor, a marcha lenta é perfeita, sem oscilações. Nota-se também a diferença do som que o mesmo emite em relação à ignição original. O som se tornou mais grave. É como se, com a ignição original, o motor fosse de 125cc e com a ignição N5, o motor fosse de 250cc. A seguir, fizemos o acerto da carburação, usando o conhecido teste de coloração da vela, que também é indicado no manual do kit. A moto do teste já estava usando uma ignição “mais forte” e, portanto, a carburação já estava pré regulada. Vale dizer, a DT 180 do teste está equipada com carburador maior (26mm de venturi contra 24mm do original) e gicleur de alta 65% maior que o original. Então o acerto da carburação estava praticamente dentro do necessário para usar o kit N5. A vela (nova, e de mesmo tipo que a indicado pelo fabricante da moto), apresentou coloração marrom, indicando mistura correta. Durante todo o teste de aceleração e velocidade final, a vela manteve a coloração indicativa de que o carburador estava regulado para a ignição N5. O COMPARATIVO O teste foi efetuado em dois dias, sendo que no primeiro foram realizadas provas de aceleração e velocidade final e, no segundo, tomada de tempo em pista. Para aferirmos os dados, utilizamos um radar, um GPS e um cronômetro. Para avaliarmos o produto, outra forma não seria possível senão confrontar a ignição N5 com a ignição original da Yamaha DT 180. Assim o teste foi feito em uma única moto, alternando ambas as ignições.
Na Pista No dia seguinte, fomos à pista para comparar as ignições. A pista, de média-alta, desenhada inicialmente para provas de veloterra, teve o seu traçado alterado para receber recentemente uma prova de cross-country e passou a contar com 4 rampas. Depois de algumas voltas na pista para reconhecimento, partimos para a cronometragem utilizando-se a ignição original.
A seguir, trocamos a ignição e voltamos a pista para, desta vez, se familiarizar com a nova ignição. Depois de algumas voltas, passamos a cronometragem. Com a ignição N5, o melhor tempo de volta foi de 1:34:04 e o pior foi de 1:35:87, sendo a média em 1:34:80. Ou seja, com a ignição N5 foi possível baixar 2 segundos o tempo de volta. Mas não foi só o tempo de volta que a ignição N5 trouxe de vantagem. A tocada se tornou melhor, à medida que a maior força no motor trouxe consigo um maior controle da moto, sendo mais fácil corrigir as trajetórias no acelerador, assim como ultrapassar obstáculos (pedras e buracos). Ou seja, é sempre bom ter uns cavalinos a mais para sair do sufoco. Onde a ignição original não subia mais a potência do motor, a N5 continuava “empurrando”.
Como a N5 prioriza a potência em alta rotação, nas saída de curva, ela se mostrava um pouco mais lenta que a ignição original. Mas como as rotações do motor sobem absurdamente rápido, logo a potência aparecia e aí superava a ignição original. Lógico que se a pista fosse de média, ou média-baixa, a utilização dos estágios intermediário ou torque do segundo CDI fariam a diferença também. Mas como a pista é de media-alta, testamos o CDI que acompanha o kit de ignição N5 e o estágio potência do segundo CDI. Então não testamos os estágios de torque e intermediário do segundo CDI, por motivos óbvios. Quanto ao estágio de “potência”, este se mostrou idêntico ao CDI de um estágio que acompanha o kit, conforme pudemos conferir nos testes de aceleração. Com o CDI de três estágios, podemos concluir o seguinte: O estágio torque é ideal para trilhas travadas e Enduro de Regularidade, onde a força (no caso, o torque) é mais usado que a potência; se a trilha ou pista mescla trechos travados com trechos de retas relativamente longas, o estágio 2 é o ideal; por fim, se a trilha é aberta ou a pista é de alta, o correto é o estágio 3 do CDI.
Segundo é que, ao usar um estágio, os outros dois plugues ficam descobertos, facilitando a entrada de sugeira e conseqüentemente necessitando de limpeza antes de sua utlilização. Nós isolamos esses plugues com fita isolante.
O estranho é que o motor em momento algum denunciou a má qualidade do combustível. No caso da DT 180, a mistura pobre é reconhecida imediatamente pela batida de saia do pistão, mais conhecida por “motor grilando.”
Conclusão Difícil dizer se a ignição N5 rende 30% a mais de torque e potência como a empresa anuncia. Somente um teste em dinamômetro poderá revelar o real ganho. Contudo, é nítida a diferença na faixa de utilização de giros do motor. Onde a ignição original começa atrasar o ponto, a N5 continua mantendo o avanço. Mesmo não sendo possível realizar o teste comparativo em dinamômetro, os dados apurados nos testes falam por si só. E convenhamos, 2 segundos a menos na pista é um temporal!!!! Com relação ao CDI de 3 programações, estas são bem distintos. Uma programação prioriza o torque em baixa; outra, torque e potência em médios giros; e o último, prioriza a potência em altos regimes. Contudo, devido a sua localização, é necessário retirar o tanque para efetuar as trocas dos estágios. Se estivesse localizado no local original da moto, estaria bem mais acessível, bastando apenas retirar o number plate lateral. Seria interessante um comutador preso ao guidão, para alternar os estágios. As ressalvas ficam para o comprimento do chicote elétrico da mesa de bobinas, que é mujito curto e ficou esticado na vertical, em frente a torneira de combustível. Em trilha, se algum obstáculo bater no chicote, pode rompê-lo, deixando o piloto a pé. Já o CDI de 3 estágios deveria vir acompanhado de duas tampas para os plugues que não estão sendo usados, a fim de evitar que os terminais sejam onstruídos por lama. Também a contrapartida que acontece, o que no caso da DT 180, pode gerar um bom prejuízo ao bolso do piloto, no caso de quebra da tampa lateral do motor.
Prós e Contras
Advertência! A instalação de uma ignição deste tipo, não deixa de ser uma preparação "pesada". Portanto alguns cuidados devem ser tomados a fim de evitar quebras no motor. Da mesma forma, deve-se ter noção de que a vida útil do motor será reduzida. Uma ignição mais forte, com ponto de ignição adiantando, exige mais do motor da moto. Portanto, um motor “cansado” com folga excessiva entre pistão e cilindro e/ou cilindro e anéis, biela e rolamentos (bem como se estas peças forem de fabricantes de qualidade duvidosa) poderá não suportar a nova carga. Aquela máxima que “o barato sai caro” é bem vinda aqui. Uma ignição com ponto mais avançado tende a aquecer mais o motor. Uma vela de grau térmico menor é recomendada. Acima de tudo, o correto acerto da carburação é imprescindível para evitar quebras ao motor (travamento ou até furo na cabeça do pistão). Tenha absoluta certeza do acerto correto da carburação antes de uma utilização mais severa da moto.
Instalação do Kit de Ignição N5
Procedimento: 1 - Solte os 6 parafusos philips e remova a tampa do magneto; 2 - Fixe o grifo nos furos do magneto; 3 - Com Uma chave estrela ou “L” ou canhão de 19mm, solte a porca de fixação do magneto; 4 - Retire a arruela de pressão e a arruela lisa do eixo do virabrequim; 5 - Rosqueie o sacador do magneto, observando que a rosca no sentido anti horário. Rosqueie até o fim, para evitar que a rosca do magneto espane. Dê um pequeno aprto com a chave de boca 19mm; 6 - Segure firme o grifo e rosqueie o parafuso interno do sacador até soltar o magneto. Puxe o magneto para fora; 7 - Solte os dois parafusos Philips que fixam a mesa de ignição; 8 - Retire a mesa de ignição e seu chicote elétrico, incluindo o CDI original. 9 - Gire o virabrequim até que a chaveta fique para o lado de cima. Com o alicate, retire a chaveta do eixo do virabrequim e coloque uma nova; 10 - Coloque a nova mesa de ignição, observando que o emblema estampado no isolamento das bobinas fica para o lado de cima. Fixe-a com dois parafusos Philips novos; 11 - Centralize sulco do Magneto com a chaveta e empurre em direção ao motor. Coloque de volta primeiro a arruela lisa e depois a de pressão. Fixe o magneto com o grifo e com a chave 19mm aperte a porca da ponta do virabrequim. 12 - Leve o chicote da mesa de magneto até próximo a bobina de ignição localizada abaixo do tanque, passando pelo local onde antes passava o chicote original. Fixe o chicote novo junto ao quadro da moto com cintas zip tie; 13 - Fixe o novo CDI próximo a bobina de ignição, utilizando cintas zip tie, observado que não fique encostado no escapamento. De preferência, isole com amianto; 14 - Plugue o chicote do CDI ao chicote da mesa de ignição. Os plugues só tem uma posição de encaixe. Vede a junção com fita isolante; 15 - O fio cinza do CDI deve ser ligado no fio preto e branco do corta corrente; 16 - O fio laranja do CDI deve ser ligado ao fio de mesma cor da bobina de ignição; 17 - O fio preto do CDI (com terminal redondo) deve ser fixado a um dos parafusos de fixação da bobina de ignição; 18 - O fio amarelo deve ser ligado ao positivo da lâmpada do farol e da lanterna traseira (caso sua moto use sistema de iluminação. Caso contrário, isole este fio); 19 - Revise as conexões, fixação do chicote e aperto do magneto; 20 - Dê a partida no motor. 21 - Estando tudo em ordem, desligue o motor e reinstale a tampa do magneto, usando uma junta nova.
Fotos do passo-a-passo
Dados da Moto Utilizada no Teste
Cilindrada: 181,95cc Carburador: Mikuni VM 26 Relação Secundária: 14x49 (passo 428) Combustível: Gasolina Petrobrás Podium Rodas e Pneus: D–80/100-21” 12lbs / T–100/100-18” 12lbs
LG: -48.89’11” LT: -27.07’.21” Temperatura: 15°C
Marcar como favorito
Bookmark
Enviar por e-mail
Comentários
(13)
Olá....cara achei muito boa a nova cara do CDM....meus parabens para os senhores...com relação ao teste foi muito bem elaborado. Essa ignição e parecida com o sistema DIS para automoveis, talvez foi por isso que vcs não notaram a diferença de combustivel..ela tem uma centelha muito boa e continua!! valeu DR´S...
Votos: +0
Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Boa Noite! Muito boa a reportagem sobre a ignição, mas qual é a giclagem de alta e de baixa utilizada no teste? Apliquei 65% no giclê de alta e deu um número extremamente absurdo, está correto?
Votos: +0
Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Eu usei a N5 durante 2 anos não tive problemas relacionados a n5 pois minha moto não era original como a do teste .
Votos: +0
Aqui na região tem muita n5 na trilha e no motocross todas tem otimos resultados mas pra não falar que eu to desmeresendo e so tem um geito de saber e pagar pra ver . Obs moto original fica dificil tem que ter um conjunto muito bom . A lembrando não e so a moto que ganha corrida Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
puxa muito bom ficou 10, entrei em contato com o pessoal da n5 e olha o que me disseram:
Votos: +0
Bom dia Filipe, A ignição N5 para DT 180 é a N5 DT180 que é composta pelo estator (mesa ou bobinado), a unidade de CDI, bobina externa, cachimbo, chaveta e os parafusos para fixar o estator. Com uma blindagem especial que protege contra a infiltração de água. Atualmente temos 4 (Quatro) modelos de N5DT180: o Enduro é composta pelo estator e a unidade de CDI/Regulador AC (Permite a instalação de lâmpada para o farol e lanterna traseira) com fiação para instalação do farol, lanterna traseira e o Engine Stop (Corta Corrente) . o Motocross I é composta pelo estator e a unidade de CDI. o Rua é composta pelo estator desenvolvido para carregar a bateria e similar ao original, assim mantém seu sistema elétrico em funcionamento, com o fio para a ligação do interruptor de neutro (cebolinha) e a unidade de CDI. o Arrancada/Motocross II é composta pelo estator a unidade de CDI com três regulagens (baixa, média e alta) velocidade, este CDI não possui regulador AC, mas não impede que seja instalado no regulador original da moto. Preço: N5DT180 Enduro/Motocross I/Rua R$ 260,00 + O Frete N5DT180 Arrancada/Motocross II R$ 290,00 + O Frete Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Primeiramente parabéns pela matéria, sem comentários...
Votos: +0
Entrei em contato com o pessoal da N5, eles estão finalizando as ignições para as Agrales que usam as motoplat e posteriormente para as kokusan. Achei somente salgado o preço, 260,00 reais somente no estator com CDI. A magnetron vendia tudo com volante completo por 200,00 e eu comprei uma ibra também completa com volante para a husq wr 250 por 210,00. Más é isso, se realemnte nas Agrales ficarem boas, comprarei a minha. Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
show simplismente valeu apena esperar,agora podia fazer um teste com magnetron e de pois comparalas
Votos: +0
Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Muito bem colocados todos os itens e imparcial.
Votos: +0
Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Parabèns pelo profissionalismo e imparcialidade...Esperamos uma como estas para as queridas Agrales.
Votos: +0
Att Jean Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Exelente parabéns a equipe de testes e ao CDM
escrito por LUCAMOTOCROSSXXXXXXX , 07 de julho de 2008
Gostei muito da narração dos fatos muito profissional e claro. Estão de parabéns pelo otimo trabalho realizado. Abraço a todos.
Votos: +0
Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Essse teste foi sensasional ! ! faz muito tempo que não leio uma matéria tão interessante, conforme já comentado é matéria superior a muita revista "especializada", O Alex mandou ver na DT nos testes !
Votos: +0
Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Muito boa a matéria!!explica td certinho, ilustrado com fotos, facilitando entendimento e instalação no caso de compra!!
Votos: +0
Agora têm que testar um destes p/ as Agralonas!! valew Denunciar abuso
votar para baixo
votar para cima
Voce precisa estar logado para postar um comentário. Por favor registre-se se caso não tenha uma conta
|
|||||||||||||||||||||||||||
| Atualizado em ( 22-Nov-2008 ) | |||||||||||||||||||||||||||
| < Anterior |
|---|




















