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Confira Nosso Teste do Mês de Agosto: HONDA CRF 230 E-mail
04-Ago-2008

ImageTeste HONDA CRF 230

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A primeira off-road 4t, lançada no Brasil.

 

 

Desde o seu lançamento em 2006, o Fórum do CDM vem sendo bombardeado de perguntas sobre a CRF 230. Há tempos estávamos esperando a oportunidade de testar a moto e podermos tirar algumas dúvidas dos nossos leitores.

 

A moto do teste é modelo 2008, com menos de 20 horas de uso e gentilmente cedida pelo piloto Samuel para este primeiro contato, pois queremos ainda fazer as medições, em um futuro comparativo, com a sua concorrente – a Yamaha TT-R 230.

 

Antes de tudo, é preciso estabelecer a categoria em que se enquadra a CRF 230. É uma genuína off road, mas não uma profissional. É uma “moto de entrada”, destinada a pilotos iniciantes. Assim, pilotos mais experientes e/ou que já dominam uma Especial, vão sentir (obviamente) falta de potência do motor.

       

   

 

CARACTERÍSTICAS

Como irmã caçula da linhagem Honda de modelos fora de estrada, a CRF 230 se assemelha esteticamente as suas irmãs maiores. Há  predomínio da conhecida cor vermelha nas aletas do tanque, pára-lamas e capa do assento (este com a parte superior revestida de material anti derrapante).

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O propulsor, um 4 tempos refrigerado a ar, de exatos de 223cc (diâmetro e curso de 65,5 e 66,2 mm respectivamente), cabeçote com duas válvulas, com comando no cabeçote e alimentado por um carburador Keihin com 28mm de venturi, gera 19,3cv de potência a 8.000 rpm e torque de 1,92Kgf.m a 6.500 rpm. Por tratar-se de um motor quase “quadrado” (termo usado para designar um motor cujo diâmetro e curso tem as mesmas medidas), se traduz em bom torque e potência, mas sem ser excepcional em nenhum deles.

Com partida elétrica, o motor acorda rápido, mas (pelo menos na moto testada) foi necessário aquecer um pouco para que ele permanecesse em marcha lenta.

A embreagem se mostrou um pouco pesada, provavelmente por ter sido utilizado molas mais rígidas na campana, já que se trata de um modelo off road e, portanto, com maior exigência na utilização.

O escapamento é composto de um tubo de 27mm e uma ponteira de aço com saída parafusada, possibilitando manutenção e até uma leve preparação para permitir maior vazão dos gases. O som é grave, dando inclusive impressão de ser um motor de maior cilindrada, mas não é muito alto.

O protetor do motor é de composto plástico, dando a impressão de não resistir a muitos impactos.

As suspensões, Showa, são o básico em termos de suspensão off road, mas cumprem ao que a moto se destina. Desprovidas de qualquer regulagem, à exceção da pré-carga da mola do amortecedor traseiro.

Para parar o brinquedo, a CRF 230 conta com disco dianteiro perfurado de 240mm, alicatado por uma pinça Nissin de dois pistões paralelos e tambor na traseira de 110mm de diâmetro.

Em se tratando de ergonomia, a CRF 230 é bem estreita, permitindo o piloto “abraçar” com as pernas o tanque (este, de plástico, diminuiu de 8,2 litros para 7 litros no modelo 2008). As pedaleiras são bem largas, dando boa base de apoio para os pés do piloto. Mas quem tem mais de 1,75m, vai ficar com os joelhos bem dobrados. A altura do assento é de 872mm. O guidão, de ferro, é levemente fechado nas pontas, se comparado com outros guidões específicos para off road, e fica muito recuado, fazendo os braços ficarem bem encolhidos.
 
O acesso aos componentes da moto é fácil. Para retirar o filtro de ar, basta retirar o number plate lateral direito (um parafuso Philips) e mais cinco parafusos da tampa da caixa do filtro de ar. O elemento filtrante (de espuma, umedecido com óleo específico) é preso com uma mola de pressão. O carburador também é de fácil retirada e, por sua estrutura simples, pode ser limpo em casa se o proprietário tiver alguma noção de mecânica. A bateria é selada, dispensando manutenção.

A CRF conta com sistema de iluminação dianteira, contando com uma pequena lâmpada incandescente de 35W, que acende juntamente quando o motor é acionado (não há chave liga-desliga). Ilumina relativamente bem.

Como “segurança”, a moto conta com uma pequena chave de contato, que colocada na ignição, graças ao seu formato, isola o sistema da entrada de água e sujeira.     

Trilha!

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 Levamos a moto para uma trilha bem diversificada, com locais planos, subidas bem íngremes, erosões de todo gosto e tipo.

Demos umas voltas de reconhecimento e a primeira impressão foi de a CRF ser uma moto dócil, que responde aos comandos do piloto e não prega nenhum susto. O motor responde bem em baixa, característica dos motores 4 tempos. A aceleração é bem progressiva e o carburador não mostra engasgos nas reacelerações. Conforme íamos conhecendo a moto, exigíamos mais dela e ela atendia.  O giro sobe rápido, chegando logo ao regime de corte imposto pelo CDI (9800 RPM). Aliás, a maior sensação de torque se dá pela reduzidíssima relação secundária (uma enorme coroa de 50 dentes), e conseqüentemente prejudicando uma eventual velocidade final maior.

Fomos nos aventurando em subidas cada vez mais íngremes e o motor não negou serviço. A moto podia não subir na velocidade que queríamos, mas que nos levou onde queríamos, isso levou...

Nos terrenos irregulares, a suspensão se comportou a contento, copiando o solo e permitindo facilmente a mudança de trajetória. Testamos várias regulagens de sag e a melhor se mostrou em 70mm. Em momento algum as suspensões chegaram ao final de curso, copiando bem o solo e não houve perda de tração por excesso de retorno ou falta de compressão. Até arriscamos uns saltos e mesmo assim as suspensões responderam bem. Mas pilotos acima de 75Kg sentirão que a suspensão necessitará de uma preparação.
 
O chassis, um berço semi-duplo estampado em aço,  se mostrou rígido neste teste em trilhas e pequenos saltos, mas não conferimos sua atuação em saltos mais radicais.

Por outro lado, a moto é relativamente baixa (altura livre do solo de 305mm), fazendo as pedaleiras rasparem com certa facilidade no chão em curvas travadas e enroscavam em algumas cavas.

O câmbio é de 6 marchas, tendo as 3 primeiras marchas bem próximas, o que faz manter o regime de giro do motor após cada troca. Notamos às vezes uma certa dificuldade de passar da 1ª para a 2ª, marcha, com o câmbio “caindo” em ponto morto.

Os freios se mostraram dimensionados para a moto. O dianteiro é bem modulável, com um manete curto e de boa pegada. O traseiro, à tambor, apesar de ultrapassado tecnologicamente em relação ao sistema de disco hidráulico, cumpre bem seu papel.

A posição do guidão prejudica uma pilotagem em pé, por estar muito recuado. Na moto testada, foi colocado um adaptador que elevou e avançou o guidão na linha da suspensão dianteira, melhorando muito a pilotagem, principalmente em pé.
 

Conclusão 

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A moto é relativamente leve (para as dimensões dela, mas poderia ter uns 5Kg a menos.), e em conjunto com as suspensões, e o motor dócil, aceita os comandos do piloto. Aliás, volto a dizer, um piloto mais experiente chega fácil ao limite da moto antes de chegar ao seu próprio limite. Por outro lado, vale também repetir, a moto é destinada a pilotos iniciantes. 

Em resumo: Cumpre o seu papel de moto de entrada para o mundo off road. É gostosa de tocar, tem bom torque em baixa (para um motor de sua cilindrada), e é muito maneável.

Se sua intenção é curtir uma a trilha (ou até na pista) sem compromisso, a CRF 230 é diversão garantida!
 
O porém fica para seu preço. Os quase R$ 11.000,00 pedidos pela moto chega a ser salgado, se formos comparar com uma XR 250 Tornado, por exemplo. A vantagem da Tornado fica em, ao vender a moto, é possível montá-la e, se estiver em boas condições, vendê-la pelo preço de tabela. Já a CRF tem um único público alvo para revenda – aquele que quer uma moto para trilha. Assim, além de segmentando, o valor tende a cair, pois é sabido que a moto sempre foi usada na trilha.
 

Ficha técnica

 MOTOR  
 Cilindrada:  223cc
 Tipo:  OHC, monocilíndrico, 4 tempos, arrefecido a ar
 Torque máximo:
 1,92 kgf.m a 6500 rpm
 Potência máxima:  19,3 cv a 8000 rpm
 Transmissão:  6 velocidades
 Sistema de Partida:  Elétrica
 Carburado:   Keihin PD 9CHAVF
   
 CHASSI  
 Tipo:  Berço semi-duplo
 Suspensão Dianteira:  Garfo telescópico – curso 240 mm - Showa
 Suspensão Traseira  Pro-Link – curso 230 mm - Showa KPS-901
 Bengalas:  37mm de diâmetro
 Freio Dianteiro / Diâmetro  A disco / 240 mm
 Freio Traseiro / Diâmetro  A tambor / 110 mm
 Pneu Dianteiro  80/100 – 21NHS MT320H
 Pneu Traseiro  100/100 – 18NHS MT320H
   
 DIMENSÕES / CAPACIDADES  
 Tanque de Combustível  7 litros
 Óleo do Motor  1,2 litros
 Comprimento x Largura X Altura  2059 x 812 x 1190 mm
 Distância entre Eixos  1372 mm
 Distância Mínima do Solo  305 mm
 Altura do Assento  872 mm
 Peso Seco  107 kg
   
 SISTEMA ELÉTRICO  
 Ignição  CDI (ignição por descarga capacitativa)
 Bateria  12V – 4 Ah (10 horas) - selada
 Farol  35W
 * Dados fornecidos pelo fabricante

 Fotos Extras

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