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CDM: Quando
começou seu interesse pelo off road?
Deni: Com 14 anos eu descia morros de bicicleta.
Levava uns tombos, subia na bike de novo e tentava novamente. Adorava fazer
isso. Tinha 3 bicicletas e desmontava uma pra consertar outra. Vendia uma pra
comprar outra, vivia fazendo rolo.
Aí
o pessoal no Arataca (NR: região de São João Batista – SC onde nasceu e
cresceu) compraram umas CG’s pra andar na trilha e eu me invoquei pra comprar
uma (Yamaha) DT 180.
Em 1996, vim pra Brusque e soube
que tinha um cara vendendo uma por R$ 300,00. O cara fez pra mim em 3 vezes.
Como não tinha como levar a moto, fui no Ilsinho Motos e comprei a carretinha
dele. Acabei levando o capacete usado dele também. Era maior mala com capacete
Taurus. Ninguém da turma tinha um desses (risos).
Depois os amigos também
compraram DT’s. Aí juntava toda a turma nos finais de semana e íamos para as
trilhas da região. Isso era um grupo de um uns 9 a andar. Daí surgiu a turma
da Trilha do Macaco Branco, com direito a uniforme e tudo.
Nesse tempo surgiu o Vilson
Cunha, que andava muito de DT 200. Na época, DT 200 era um sonho. Ele tinha um
amigo com uma Agrale 27.5. Os dois faziam curva “atravessados”. Eu olhava
aquilo e dizia: “Jesus, será que um dia vou conseguir fazer isso?”
“...será
que um dia vou conseguir fazer isso?”
CDM: E
quando foi a primeira prova que participou?
Deni: Um dia o Vilson e o Alemão da Via Scarpa me botaram pilha para
competir.
Acabei comprando uma YZ 86 ou 87
com motor de DT 180. Pouco depois surgiu uma prova no estilo Enduro FIM em
Guabiruba (SC). Na prova, tomei um pacotaço em cima de um formigueiro. Quase
que as formigas me comem inteiro (risos). Na primeira volta já tinha quebrado
os dois paralamas.
CDM: Daí
pegou o gosto pela competição?
Deni: Logo
em seguida vendi essa moto. Aí o Sandro da Bilú, grande amigo até hoje ,
começou insistir que eu deveria comprar uma moto “boa”. Como eu não tinha
dinheiro para isso, o próprio Sandro comprou pra mim uma YZ 250.
Mas sair de uma DT 180 pra uma
Especial 250...Não tinha uma prova que eu não caía pelo menos 3 vezes. Eu enfiava a mão, aquele bicho tinha muita
força! Nessa época, o Sandro (NR: Barg – chefe da equipe) andava de DT
200 na categoria nacional, era ponteiro. Fazia tempo melhor que eu que andava
de Especial.

Campeonato catarinense Veloterra
|
No fim, quebrei a moto toda, gastei
uma grana, fiquei endividado por um ano. Consegui vender a moto e disse pra mim
mesmo que não ia mais pilotar.
Aí o Cegovi (André Cegovi Eccel,
da Tecnomotos, preparador das motos do Deni) tinha uma XLX 350 “jogada” na
oficina. Peguei essa XLX pra fazer uma trilha e me apaixonei pela moto. Acabei
comprando uma Sahara.
CDM: Com a
Sahara, voltou a competir?
Deni: Sim,
em 1999 iniciei na Velô (NR: Veloterra). No começo eu levava duas voltas
dos ponteiros, que era o Beto Schumi, Anderson, o Peron, já falecido ... Eu
ficava indignado: “Eu ainda vou andar com esses caras!”
Comecei a tirar um dia no meio
da semana pra treinar. Treinava também todo sábado e domingo.
No ano seguinte já comecei a
andar com os ponteiros. Na metade do campeonato minha Sahara “se destruiu”. O
quadro ficou uma “gaita de boca”. O Cegovi disse que a moto não tinha mais
condições. Aí comprei uma Falcon batida de um amigo. Era mesmo na época do
lançamento da moto. O cara caiu e destruiu a frente da moto. Ficou inviável pra
ele consertar.

Campeonato catarinense Veloterra
|
Em uma prova em São Bento do Sul (SC), o
Juca Bala, hoje concorrente meu no Rally, estava fazendo uma apresentação nessa
prova. Ele era o atual campeão brasileiro de Rally.
Com a Falcon toda original, eu
andava entre os 4 primeiros. Nas retas longas, os ponteiros abriam, mas no
trecho de baixa eu colava neles. Quando voltamos pra casa o Maninho Fischer
disse por Cegovi: “É, parceiro, ta na hora de fazer um motorzinho pro Deni, que
ele já está merecendo.”
Então começamos a fuçar no motor
e pelo menos uns 10 eu dei jeito de destruir. O Cegovi preparava os motores e o
Maninho fazia os escapes.

Campeonato catarinense Veloterra
|
Em 2001 passei a disputar duas
competições: Enduro Fim e Veloterra. Fiquei campeão catarinense no Enduro Fim e
em quinto no Veloterra.
Com o motor fuçado comecei a andar
junto com os ponteiros. Na época as motos deles eram muito preparadas.
Em 2002 fui terceiro colocado no
Veloterra e parei de competir no Enduro FIM.

Enduro Fim
|
Em 2003 eu estava com o título
praticamente na mão, no meio do campeonato já havia aberto 29 pontos pra cima
do Beto Schumi. Minha moto estava muito melhor que dos demais. Num final de
semana fui treinar na pista do Wagner Gervásio (em Balneário Camboriú).
O record da pista era 1 minuto cravado e eu estava virando 59 segundos baixo.
Mas eu queria tirar mais. Acabei dando uma “calçada” de pedaleira no chão, voei
uns 5 metros
para cima e quebrei o braço.
Ali joguei o campeonato fora...

Primeira vitória no Campeonato Catarinense de Veloterra
|
No ano seguinte, todo mundo se
preparou. O Beto veio com motor de Falcon. O campeonato começou nivelado
novamente.
CDM: em um curto tempo, você passou de levar duas voltas dos lideres para
andar junto com eles e até supera-los. Você credita isso ao fato de passar
a ter um equipamento a altura dos
concorrentes, ter melhorado sua pilotagem, ou houve uma evolução sua e da moto?

1º lugar na etapa de Massaranduba
Campeonato Catarinense de Veloterra
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Deni: O
principal fato foi a dedicação. Passei a levar o esporte mais a sério. Saía da
faculdade às 22:00 e ia pra academia. Saía de lá meia noite. Coloquei na cabeça
que ia supera-los. O Cegovi foi acertando a preparação do motor e eu me
treinando na academia e na pista.
“Coloquei
na cabeça que ia supera-los.”
CDM: Qual
era a rotina de treinos com moto nessa época?
Deni:
treinava quintas, sábados e domingos com a moto. A moto eu acho que 90% é
treino.
CDM: Nessa
época (a partir de 2001), quando você decidiu que ia competir pra valer: Teve
alguma ajuda financeira?
Deni: Quando
comecei a competir, eu trabalhava na Bilú e o pessoal lá me ajudava,
dando fardos de pipoca para eu vender e levantar dinheiro. Também era ajudado
pelos amigos. Todo mundo gostava da coisa, queria ver eu andar e eu não tinha
condições financeiras. Um me levava para as corridas com a caminhonete; se
estourava o motor, outro mandava vir um motor novo; quando precisava ficar em
hotel, era o Sandro Bilú ou o Adriano Benvenutti quem bancavam as despesas. Na
verdade era uma família que se unia porque que gostava “de ver a coisa.”
Mas também havia muita cobrança da turma: O segundo
lugar nunca era bem vindo. Queria ver a equipe brava, era eu ficar em segundo.
(risos)

Rally São Manoel
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Quando comecei a me destacar, a
GS Motos também passou a apoiar. O Cegovi que sempre foi meu mecânico desde o
tempo da YZ com motor de DT trabalhava praticamente o mês inteiro na moto e não
me cobrava a mão de obra. A Mega Motos (Concessionária Honda de Brusque – SC),
a través do Paulo Heil, também começou a me ajudar.
CDM: Em
2005 você acabou passando para a categoria Especial no Veloterra. Como foi essa
transição?
Deni:Eu não
tinha condições de bancar uma Especial. Nessa época eu já estava disputando a
categoria Força Livre Especial, mas andando de Falcon e obtive o
vice-campeonato. Depois comprei duas Honda Tornado’s e colocamos nelas motor de
Falcon. Já era difícil para manter duas nacionais, quem dirá uma especial.
Um dia treinando na pista do
Paquetá (Brusque), o Mafra (Aristides Mafra, piloto da mesma equipe do Deni) me
ofereceu a CRF 450 dele para eu dar umas voltas. Dei umas voltas para conhecer
a moto, fui aumentando o ritmo e logo me familiarizei com ela.
Gostei demais da moto. A 450cc é
uma moto que tem que ser muito respeitada. A moto é muito forte.
O Mafra acabou dando essa moto
na Mega Motos na troca de uma zero e convenceu o Paulo a me revender essa moto
100% fiado. Eu pagava como podia a moto (risos).

Mafra (#04), Cegovi (ao centro) e Deni (#02)
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CDM: Esse
ano foi de muitos títulos, não?
Deni: No Veloterra,
fui Campeão Catarinense Força Livre Especial, Campeão Sul Brasileiro Força
Livre Especial e Vice-campeão catarinense Força Livre Nacional; No Cross
Country, fui Campeão Catarinense.
“A 450cc é
uma moto que tem que ser
muito respeitada. A moto é muito forte.”
CDM: Isso significa que a cada etapa você disputava duas baterias?
Deni: A
Força Livre Nacional era a penúltima bateria do dia e a Força Livre Especial
era a última. Eu terminava a bateria da Nacional e alguém da equipe já estava
posicionando a CRF 450 no gate para mim. No caminho, outra pessoa da
equipe me dava um energético que eu ia bebendo até chegar no local da largada.
O meu ponto forte sempre foi o preparo. Não foram raras as vezes que eu ganhava
duas baterias, uma em seguida da outra.
No ano seguinte peguei novamente
uma moto de segunda mão do Mafra e fui novamente campeão catarinense e sul
brasileiro. Acabei vendendo as nacionais e fiquei somente com a Especial.
“O meu
ponto forte sempre foi o preparo.
Não foram raras as vezes que eu ganhava
duas
baterias, uma em seguida da outra.”
CDM: E
quando foi o gostinho da primeira especial zero?
Deni: Em 2007 fiz uns “papagaios” e finalmente
consegui tirar uma moto zerada.
CDM: E quando surgiu a vontade de participar de
Rally?
Deni: Nesse mesmo ano (2007), o Dado Archer me instigou a participar de uma prova de Rally.
Mas a equipe toda já estava pensando em participar do brasileiro em 2008. Teve
uma etapa do Brasileiro em
Ilha Comprida (NR: Litoral de São Paulo), onde foi
inclusive o último ano que o Jean Azevedo participou. Além disso estavam lá Zé
Hélio, Juca Bala...
No sábado tinha um prólogo (risos) e eu levei um
capote numa duna. Como eu só havia andado no Veloterra, não haviam saltos. Eu
também nunca pratiquei motocross. Não tinha nenhuma desenvoltura para saltos.
Tinha muito medo para saltar.

Prólogo em Barretos
|
Como a organização não permitiu reconhecimento da
pista, eu vinha de mão enrolada, fiz uma curva animal e subi na duna sem saber
o que tinha do outro lado. Quando estava no ar simplesmente larguei a moto. Fui
parar lá embaixo. Custou um pouco para fazer a moto pegar. Mesmo assim ainda
fiz o quinto tempo nesse dia, ficando apenas 8 segundos do líder. Se não
tivesse perdido tempo em fazer a moto ligar...
A prova foi toda na areia e consegui o segundo tempo
na geral, ficando na frente de Zé Hélio, Jean Azevedo (NR: Quem venceu a
etapa foi Juca Bala).
CDM: Na primeira prova no Rally você já obteve
um excelente lugar. Mas era um desconhecido no meio. O que o pessoal achou
disso?
Deni: Todo mundo perguntava: “Quem é esse cara?”
Alguém lá meio disse: “Ah, é um cara da Velô lá de Santa Catarina.” Mas ninguém
sabia nem meu nome.
CDM: Então 2007 foi para se adequar ao Rally?
Deni: Sim, no fim do ano participei do Rally dos
Amigos (Itatinga – SP) onde reúne a nata
do motoclisimo off road. Além de pilotos do Rally, vem pilotos de MX,
Enduro... Estavam presentes Roosevelt Assunção, Felipe Zanol, Nielsen Bueno. O
Rally era num sábado e a final do catarinense de Veloterra (em Barra Velha) era no
domingo. Era loucura, mas eu tinha que vir pra final do Velô para ser campeão.
Terminei o Rally em sétimo na geral e segundo na categoria devido a um tombo e
ter me perdido num trecho.
CDM: 2008 então você entrou pra valer no
Brasileiro de Rally?
Deni: Isso. Nas primeiras provas eu fui bem
cauteloso, afinal duravam de 3 a
4 horas e eu nunca tinha participado de provas com tanta duração. Na média,
ficava entre terceiro e quarto na geral. Na minha categoria só perdi duas
etapas para o Mafra porque fraturei o braço.
CDM: Mas provas com navegação também eram
novidade para você, não?
Deni: A minha primeira prova deste tipo foi o RN
1500. Eu nunca tinha usado equipamento de navegação antes. Novamente fui
cauteloso, tocando a moto “na maciota”. Fiquei em quarto na geral e primeiro na
categoria. Mas pra mim, justamente por nunca ter planilhado antes, esta
colocação na Geral teve gosto de vitória, porque o pessoal dizia que eu ia
quebrar o equipamento todo por eu ser desajeitado com essas coisas.

Deni
|
Na metade do ano, depois da recuperação do braço,
comecei a me dedicar mais porque neste ano eu tinha objetivo de ir para o
Sertões. Treinei muito, comecei a me soltar nas provas e comecei a ganhar
também na categoria geral no Brasileiro. Mas por falta de verba não pude ir ao
Sertões.
No fim do ano, me preparei muito para o vencer o
Rally dos Amigos, que era um sonho para mim.
CDM: Conte um pouco sobre essa prova
Deni: Quando terminou a Especial eu vi que estava
andando rápido porque no abastecimento havia chegado no Ike Klaumann (que ano passado foi campeão
brasileiro). Na minha categoria a disputa era caseira entre eu e o Aristides
Mafra. Eu precisava ganhar pra ser campeão. Quando cheguei na sede da fazenda,
o Kilca
(N.R.
diretor de Rally da CBM) bateu nas minhas costas e
disse: “Além de levar na categoria, você faturou também na geral.” Eu nem
acreditava, porque o Zé Hélio contava com a vitória. Chegou empinado a moto e a
equipe dele fazendo festa. Toda a imprensa foi direto entrevistar ele. Quando
saiu o resultado dando que eu era o vencedor com 3 segundos sobre o Zé Hélio, a
equipe dele acabou com a festa e rapidinho foram embora.
CDM: Campeão na categoria Production e vencedor
de algumas etapas na Geral em 2008. Para 2009, as atenções estavam voltadas
para você e pilotos de ponta querendo tomar o título. Como foi essa pressão?
Deni: Um dos compromissos entre eu e o Mafra era
que quem vencesse em 2008, subiria de categoria em 2009. Assim, passei para a
Sport. Até teve gente que disse que tanto eu como o Mafra temos condições de
subir para a Super Production. Mas nós decidimos subir um degrau de cada vez.
A primeira prova foi em Barretos. Consegui
vencer a prova numa briga boa com o Juca Bala e o Thiago Fantozzi. Mesmo assim,
coloquei 6 minutos sobre o segundo colocado.

Premiação RN 1500
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A segunda etapa foi em São Manoel. O Thiago
veio forte para a prova e o Zé Hélio com uma moto de 500cc preparada pela Honda
e com suspensões trazidas dos Estados Unidos. No sábado, por questão de
segundos fiquei em
primeiro. No domingo, o Thiago arrepiou e tirou o tempo que
eu tinha de vantagem. No abastecimento coloquei na cabeça que eu ia dar o meu
melhor, ir pra cima dele. Fui o primeiro a largar à tarde e enfiei a mão.
Apavorei na volta, saltava como nunca tinha feito antes. Quando cheguei disse
pra equipe: “Posso até ter perdido, mas hoje fiz o que gosto de fazer que é
andar forte.”
Aí começou de novo aquela de quem tinha vencido. A
equipe do Thiago dizendo que era ele. Olhei para o Cegovi e o vi rindo sozinho.

As motos da equipe
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No deslocamento, o Thiago me disse que a equipe dele
estava equivocada e que eu havia vencido a prova.
Aí chegou novamente o RN 1500. Ano passado o Thiago
havia vencido. E como ele está morando lá em Natal, era o franco favorito. Como
ainda estavam o Zé, o Juca, eu me considerava o quarto colocado, porque ainda não
tinha muita prática em prova de navegação.
No primeiro dia era uma especial muito rápida, todos
tivemos problema com a chuva. Quando cheguei, o Zé veio pra mim e disse: “O
Thiago tá p*** da vida! Carcasse um salsichão de 1 minuto e meio na espinha
dele.”
Esse RN ficou muito marcado para mim porque só não
ganhei uma Especial (que foi vencida pelo companheiro de equipe, Aristides
Mafra) porque a moto “puxou água” num rio. Terminei a prova com uma vantagem de
6 minutos sobre o Zé. Dali para frente eu vi que eu tinha condições de brigar
de igual para igual com eles.
CDM: Aí chegou finalmente o Sertões, há tantos
anos nos seus planos.
Deni: Realmente era um sonho que faltava
realizar. Vindo de uma prova de Veloterra em 2000, eu e o Cegovi comentávamos
sobre o Sertões: “Um dia vamos correr lá!” Eu coloquei como objetivo que em
2007 iria participar. Mas 2007 chegou muito rápido e não tínhamos dinheiro pra
ir (risos). Isso só aconteceu em 2008 mesmo, quando o Mafra propôs uma
estrutura que era viável.
CDM: E como foi encarar um Rally dessas
proporções?
Deni: Nosso objetivo desde o início era completar
a prova. Apesar de todo mundo achar que eu poderia me dar bem, minha intenção
era conhecer o Rally, pegar experiência da prova.
Como ano passado eu fiz o brasileiro de Rally pra
pegar experiência para 2009, esse Sertões seria também para conhecer a prova e
aí em 2010 poder andar para valer.

Conferindo a planilha
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Voando baixo no Sertões
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“Dali para
frente eu vi que eu tinha condições
de brigar de igual para igual com eles.”
CDM: Se o objetivo era completar a prova, a
cautela foi a norma?
Deni: Como era minha primeira vez, tive que
“respeitar a prova”, tirar a mão. Tanto é que só tive tombos leves, de deitar a
moto escorregar, de não ver nada por causa do pó. Mas tombo feio, nenhum.
Em hipótese alguma fui pro risco, exceto em um dia
que e estava atrás de um quadriciclo. O piloto me irritou demais. Fiquei 50Km
comendo o pó dele.

Rally dos Sertões
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Rally dos Sertões
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CDM: Por falar em pó, ouvimos umas entrevistas
suas onde você reclamava disso. Mas para quem ouviu, pode ter pensado que,
exceto o primeiro a largar, todos os demais sofreram igualmente com o pó. Só
que o seu problema era maior por causa da sua posição de largada. Conte-no
sobre isso.
Deni: Isso ocorreu por alta de experiência nossa.
A gente não sabia ao certo como funcionava o Rally. Como o Sertões já faz parte
do calendário do Mundial de Rally, nesse ano a organização decidiu que todos os
pilotos que estão disputando o mundial deveriam largar na frente,
independentemente da posição alcançada no dia anterior. Mas como para se inscrever
no Mundial teria mais uma série de outros acessórios para instalar na moto além
do custo de 1500 Euros, nós optamos por diminuir estes custos e fiquei só na
Nacional. Eu também não imaginei que teria tanto problema com pó porque próximo
do início da prova estava chovendo bastante na região.

Deni do Nascimento
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CDM: Então mesmo você sendo segundo na geral na
etapa anterior, no dia seguinte teria que largar atrás de todos os pilotos que
estavam inscritos no Mundial?
Deni: Exatamente. Como segundo na categoria
geral, eu deveria largar em segundo, ou seja, não pegaria quase nada de pó. Só
o pó da moto do Zé Hélio não seria muita coisa. Se eu chegasse nele, daria para
passar. Meu problema era os quadriciclos.
Na minha frente largavam 3 quadriciclos e eram os
mais rápidos da prova. Tanto é que ocuparam os três primeiros lugares na
categoria deles.
O que acontecia: Largavam os 16 inscritos no mundial
(sendo os 3 últimos, os quadriciclos), e depois de 15 minutos é que eu largava.
Entre 60 a
100Km eu chegava nos quadriciclos. Todos os dias eu tinha que passar por eles e
ainda 6 ou 7 motos. Isso durante toda a prova. Em especial longa, chegava a
passar até pelo Dimas Matos (NR: Proprietário da ASW e da Brasil Moto Tour),
que era o terceiro a largar! Todo dia isso se repetia.
“Só o pó da moto do Zé Hélio não seria muita coisa.
Se eu chegasse nele, daria pra passar.”
CDM: Você credita a isto o fato de não ter
brigado pelo título na geral?
Deni: Com certeza! Eu me “matava” para passar os
caras, ficar em segundo na geral e no dia seguinte tinha que largar lá atrás de
novo. Foi por isso que eu perdi todas as chances de brigar pelo título.
CDM: É a tal da questão da experiência que você
falou anteriormente...
Deni: Foi um erro que cometemos não ter me
inscrito no Mundial também. Para o ano que vem temos que acertar só pequenos
detalhes, alguns errinhos que foram cometidos nesse ano, para poder disputar de
igual para igual o título na geral.
CDM: Na hipótese de você poder largar na posição
“correta”, ou seja, em segundo, esta vantagem enorme que o Zé Hélio alcançou
cairia para segundos, ou daria para supera-lo?
Deni: Passar pelo Zé acredito que teria sido um
pouquinho complicado, mas teve Especial que eu andei junto com ele. O que eu
digo é o seguinte: O Zé não é nenhum bicho-papão também. Por mais que ele seja
um piloto profissional, não é imbatível, porque não acredito que alguém seja
imbatível, seja no que for. Claro que respeito o trabalho dele, é um grande
vencedor, tem experiência de 15 Sertões, sendo 5 títulos nesse Rally. Hoje ele
é o “Rei dos Sertões”. Um dos pontos fortes do Zé não é o acelerador. Ele
navega muito bem. Ele conhece muito bem
o terreno onde está andando. Por mais que cada ano se mude o trajeto da prova,
sempre se passa por terrenos parecidos. Ele consegue configurar a moto todos os
dias, porque já sabe onde vai andar, se é trecho de pedra, terra, etc. Já no
meu caso, nunca sabia, largava sempre “no escuro”
Sobre largar junto com ele, o que poderia ter
acontecido é que eu poderia impor um ritmo mais forte para chegar nele e depois
administrar, porque se todo dia eu largasse atrás dele, mas chegasse junto,
todo dia colocaria um minuto em cima dele.
CDM: Tanto é que nos dois primeiros dias ele
abriu uma vantagem boa sobre você, mas daí em diante essa diferença foi caindo.
Deni: No primeiro dia ele abriu 20 minutos. Acho
que foi onde eu perdi a prova. Na soma dos dois primeiros dias, ele já tinha 30
minutos de vantagem. Do quarto dia em diante é que começou a cair essa
diferença, por que aí eu já tinha uma certa noção do que era o Rally e a coisa
começou a engrenar.
Na verdade foi tudo inexperiência. Tenho que
aprimorar esse meu lado da navegação. Quero ver se treino um pouco disputando
umas provas de regularidade inclusive.
No lado da velocidade, acho que tenho bom domínio da
moto, fruto da experiência do Veloterra e do Cross Country. Mas ainda tenho que
assimilar as duas coisas: Andar rápido e navegar.
CDM: Mesmo andando abaixo do seu limite e tendo
em mente o objetivo de “apenas” completar a prova, o resultado lhe surpreendeu?
Deni: Quando chegamos em Natal, recebemos o
resultado: Segundo na Geral e primeiro na categoria Sport. Isso foi uma
surpresa e tanto e serviu como experiência. Agora ficou o gostinho de querer
mais. Vamos ver o ano que vem (risos)...
CDM: Isso também é fruto de um trabalho em
conjunto com uma boa equipe, correto?
Deni: Toda a nossa equipe está de parabéns.
Trabalharam unidos o tempo todo. O Sertões não se ganha sozinho, se ganha com
uma equipe boa. Tanto é que nos bastidores, fomos considerados a melhor
equipe do Sertões. E isso foi dito por pessoas experientes que estão no Rally
há muitos anos: “Os Vermelhinhos são fogo!”

A equipe (Os Vermelhinhos)
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Essa assistência da equipe foi muito importante para
mim. Me passaram tranqüilidade. Hoje posso dizer que uma das melhores equipes é
a nossa”
“O Sertões
não se ganha sozinho,
se ganha com uma equipe boa.”
CDM: Nesse pouco tempo competindo no Rally e
principalmente com pouca verba, como você considera sua estrutura?
Deni: Eu não me considero um piloto profissional
quando se refere a viver do esporte. Me considero um piloto profissional em
termos de preparação e equipamento. Hoje temos equipamento talvez não pra andar
com equipe de fábrica, mas temos estrutura para competir com qualquer equipe
privada.

Caminhão-Oficina
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Estrutura
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CDM: Fora a excelente equipe, a ajuda dos
patrocinadores foi fundamental para você poder ter ido...
Deni: Não posso me esquecer nunca das pessoas que
viabilizaram nossa ida ao Sertões: A Mega Motos, que vem me apoiando desde
2000; a Copobrás que também nos auxiliou muito; a parceria com o Sandro Barg da
GS Motos. È ele quem corre atrás da parte burocrática da coisa, além do auxílio
com peças de reposição para a moto; a Riffel, que forneceu os kits de corrente,
coroa e pinhão e; finalmente, a ASW, que fornece todo o equipamento que usamos.
Quero deixar aqui meu agradecimento a eles e espero
que no ano que vem possam novamente viabilizar nossa ida, para quem sabe poder
trazer o título na Geral para Brusque e Santa Catarina.
CDM: O Sertões também é válido para o Brasileiro
de Rally.Você como campeão na categoria e vice na geral, como ficou sua
situação?
Deni: Com esse resultado conseguimos uma certa
folga porque o Zé tinha se machucado na prova anterior ao Sertões. Com isso
estou com 44 pontos a frente dele. Não vou dizer que o título está garantido,
porque prova é prova, cada etapa é uma etapa, não há como prever nada. Mas
vamos tentar fazer bons resultados nas próximas provas e tentar o título não só
na categoria, como também na Geral, que é nosso objetivo esse ano.

Chegada a Natal-RN
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Comemoração
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CDM: Para finalizar: Participar do Sertões foi
um sonho que levou 7 anos para se realizar. O Dakar vai levar menos tempo?
Deni: Isso é uma pergunta complicada de responder
(risos). Atualmente todo mundo me pergunta isso, quando vou pro Dakar. Não há
como prever. Com certeza é outro sonho. Para ser sincero, nossa equipe não
pensou nisso ainda. Claro que se surgir uma proposta ou um convite...
Entrevista concedida a Alessandro Roberto Fuchs exclusivamente para o Clube das Motocas
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o cara é guerreiro !